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O garoto do metrô 3 Agosto,2010

Posted by n. in Coisas Aleatórias, Por acaso.
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Já perdi a conta de quanto tempo busco uma inspiração para voltar a escrever. Hoje ela caiu no meu colo com uma série de acontecimentos surpreendentes.

É engraçado como desconhecidos podem marcar nossa vida, e eu tenho a impressão que o dia de hoje não vai ser esquecido tão facilmente. Vou escrever sobre isso para não esquecer a série de coincidências que marcaram o episódio de hoje.

Há muito tempo prometo que quando viesse para São Paulo marcaria de sair com a minha amiga T. Toda dez que eu venho pra cá o encontro fica só na promessa, e eu já não via ela há 4 anos. Resolvi que dessa vez seria diferente e marquei de almoçar com ela hoje. Nos encontraríamos ao meio-dia e meio na estação Trianon-Masp . Minha mãe disse que me levaria de carro até o metrô, então acabei chegando um pouco mais cedo do que eu pensava.

Quando estava comprando meu bilhete do metrô, a T. me ligou dizendo que estava garoando e que era melhor nos encontrarmos na  Consolação,  pois teríamos que andar menos.Disse que tudo bem e parti ao encontro dela.

De fones de ouvidos e após três mudanças de linha (sim, era mais fácil ter ido de ônibus, mas eu não resisto ao metrô) desci na estação e fiquei me perguntando para que lado deveria ir. Ao notar que só havia uma saída me tranquilizei e segui na direção dela.

Quando estava passando pela catraca notei um garoto parado de frente pra mim que parecia absurdamente com um amigo meu. Após notar que ele também me encarava com a mesma cara de ponto de interrogação notei que era realmente o meu amigo. Fiquei feliz de ter encontrado com ele e passamos uns bons 20 minutos conversando, ele esperando alguns amigos dele e eu esperando a T. .

Então os amigos dele chegaram e eu me vi sozinha na estação novamente. Então noto um garoto vindo em minha direção. Fiquei com medo obviamente, coisas de cidade grande. Ele virou pra mim e disse: “Oi, posso te pedir um favor?” . Eu , muito tímida, sigo à risca o conselho da minha mãe de nunca falar com estranhos, mas como ele não parecia ameaçador eu disse: “Fala.”.Aí ele, quase tão tímido quanto eu falou: “Será que você podia entregar o meu telefone pro seu amigo? É que eu saí do metrô e achei ele encantador. Ele tava ali parado, sorrindo, não resisti.”

Fiquei sem saber o que falar. Mas achei tão fofa a forma como ele falou do sorriso do meu amigo que que tudo bem. Ele perguntou se eu tinha um papel , eu disse que não e ele saiu da estação e foi até a rua com a missão de achar um panfleto para anotar o telefone. Ele voltou e anotou seu nome, telefone e e-mail no papel que agora descansa na minha bolsa.  Mandou eu dizer pro meu amigo que era um louco que tinha gostado dele, reforçou que ele nunca tinha feito aquilo mas que tinha gostado de verdade do meu amigo e foi embora.

Eu não sei qual é a opção sexual do meu amigo e muito menos se ele vai ter coragem de entrar em contato com “um maluco do metrô”, mas as coincidências que me botaram naquele lugar, naquele minuto e o jeito daquele menino, claramente lutando contra a timidez e se arriscando para ir atrás daquilo que ele queria me maravilharam. Com certeza entregarei o papel.

Quem sou eu pra interferir nessas coisas do acaso?

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